Este pequeno tomo de horrores (certamente também será um manuscrito maldito) regala-nos com três terríveis histórias para gelar o sangue numa noite de Inverno. As histórias são apresentadas por ordem de tamanho, da mais pequena para a maior, e por ordem de ritmo, da mais calma (mesmo indolente) para a mais frenética e provavelmente devem ser lidas de seguida para não se perder o comboio emocional.

 

Uma capa bem pensada e chamativa.

Começamos pela “Sombra de Ninguém” que serve de Hors d’oeuvre para esta refeição diabólica. Um estranho poder para tornar visível os elementos invisíveis pode acabar de forma inesperada quando aparece alguém que tornou invisível aquilo que todos deveriam poder ver. Seguimos para a “Luz Miserável” que é um conto cruel de três soldados, o medroso, o maldoso e o moribundo, que reúnem anos depois do fim da guerra em África para tentarem evitar pagar o preço dos seus crimes; alguém os virá buscar agora, no ocaso da sua vida, e só uma hábil artimanha poderá evitar a vingança dos mortos. Tudo acaba com o “Rei Assobio” no qual espreitamos para uma infância estranha passada no Portugal profundo do antigamente. Uma marca no passado causa uma vida dedicada à tentativa de vingar o mal que lhe foi feito e neste combate serão recrutados soldados inocentes que não fazem ideia daquilo em que se acabaram de meter.

 

Uma estética original e bem pensada.

 

As histórias convencem e estão ao nível que seria esperar de David Soares apesar de pessoalmente pensar que a primeira destoa bastante das outras duas e que é um pouco mais fraca. Já me disseram que existiam elementos de ligação nestes contos ao resto da obra do autor e de facto detectei alguns (admito que haja mais mas infelizmente não tenho uma memória fotográfica e há detalhes que podem escapar-me) mas nada que me permita dizer à partida enquadrar o que estou a ler num universo já construído – se há relação com o que foi escrito anteriormente parece ser tangencial. Outra questão, além da relação das histórias entre si e com o resto da obra de David Soares, é a dimensão que para mim desilude. Sabe a pouco quando lemos algo bem escrito e ficamos com a sensação que há ligações que estão prestes a ser reveladas e ficam suspensas no ar das conclusões abertas.

Um aspecto que convém realçar é a parte gráfica do livro em que se nota um trabalho primoroso, a capa é belíssima e o toque especial das páginas negras dá o seu charme a esta edição. É um presente de natal bem diferente para quem gostar de evitar os habituais livros glicodoces que é costume oferecer nesta quadra.

 

Nota: 8/10

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Comentários
  1. […] – A Luz Miserável – David Soares (Manuscritos Malditos) […]

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