Event Horizon

Posted: Dezembro 29, 2010 in Ficção Cientifica, Filme, Horror, Lovecraft
Etiquetas:, , ,

A Event Horizon é a nave espacial mais sofisticada que a humanidade já construiu e, se tudo correr como é esperado, será capaz de dobrar a própria estrutura do espaço e do tempo para alcançar uma forma de viagem interestelar rápida e eficiente. Na sua viagem experimental, a Proxima Centauri, a Event Horizon desaparece no limite do sistema solar para nunca mais ser vista. Até agora. Ao fim de sete anos regressou vinda do nada e está neste momento a orbitar Neptuno, aparentemente à deriva. É reunida uma equipa de emergência para resgatar a nave perdida e descobrir o que aconteceu há sete anos. Liderada pelo capitão Miller (Laurence Fishburne) esta relutante equipa é acompanhada pelo criador da Event Horizon, o Dr. Weir (Sam Neill), cujo primeiro dever (e obsessão pessoal) é retirar o máximo de informação possível sobre onde a sua criação andou durante estes anos todos. Ao chegar ao seu destino esta equipa começa a ter reveses atrás de reveses e a ter estranhas e horríficas visões que não parecem ser meras alucinações. Somos convidados a assistir às suas tentativas de obter informação, manter a sua sanidade e acima de tudo sobreviver.

A fonte do mal

 

Estão presentes todos os elementos necessários para termos um bom filme de inspiração “Lovecraftiana”. Algo que foi ao abismo entre o espaço e o tempo e voltou, trazendo consigo horrores inimagináveis que assaltam não só os sentidos físicos de quem é exposto a eles mas que faz tombar as próprias barreiras do que consideramos real abrindo a por para todo a espécie de redefinições da realidade. Os personagens são razoavelmente bem desenhados (apesar de serem um pouco unidimensionais – Miller como líder heróico e Weir como um Fausto moderno) e cumprem o papel de nos manter interessados; claro que isto não impede que, na tradição dos filmes de horror, a maioria das personagens secundárias sejam carne para canhão e caiam vítimas dos terrores da Event Horizon. Penso que houve aqui uma oportunidade perdida para aprofundar psicologicamente o medo que não foi usada sendo que as psiques das duas personagens principais poderiam ter produzido imagens mais interessantes.

Do you see now??

 

A acção segue a sempre a bom ritmo e os momentos mais marcantes estão bem divididos ao longo do tempo sendo que não temos enormes períodos mortos. Apesar de existir alguma linearidade no desenvolvimento desta narrativa eu penso que está em geral bem conseguido servindo de boa introdução a um género especifico de horror que aprecio muito, o género do qual Lovecraft foi o mestre e que sabe manter a tensão constante sem ter que cair na gratuitidade – estou a pensar em filmes recentes como Hostel que são verdadeiros festivais de brutalidade estúpida sem complexidade ou interesse. O final é gratificante mas ao mesmo tempo ambíguo o só nos pode deixar com um sorriso nos lábios , talvez algo tenha passado da Event Horizon para o nosso mundo através do ecrã 🙂

Salvação

 

Um filme que gostei muito e que irei com certeza rever no futuro. Vai para a prateleira dos comfort movies cá de casa. Recomendo a todos especialmente quem quiser uma introdução a Lovecraft ou a quem quiser ver uma adaptação cinematográfica dos seus conceitos literários feita com pés e cabeça.

Nota: 8.5/10

Anúncios
Comentários
  1. Germano diz:

    Cara, eu amei esse filme e devo dizer que amei também o seu texto. Você soube demonstrar de forma complexa e agradável os detalhes desse filme, que muitos considerariam ruim por causa da brutalidade e etc, o que acho apenas um mero detalhe, considerando o fato de que o real propósito do filme seria explorar (e nos fazer explorar) os limites da imaginação para o que consideramos um inferno na concepção de que não existe nada mais horroroso do que o mesmo. Psicológicamente falando, a concepção de inferno, nesse filme, seria não só o pior lugar a se estar, como também um lugar não-físico, fora do tempo e do espaço, ao qual seria literalmente impossível descrever, e que segundo as leis da física quântica, pode ser qualquer coisa e só vai depender de nós definir o que realmente é. De fato, por essa definição, ele existe e não existe ao mesmo tempo. Esta sendo difícil para mim explicar mais, já que não existe uma concepção concreta do mesmo. Dizer que a nave foi ao inferno talvez seja uma expressão para ela ter ido a um lugar além da concepção humana, que apenas nossa consciência permanesce viva mantendo todo o horror e medo humano possível. Sei lá, essa também é minha concepção de inferno real, se ele existisse.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s