No futuro sangrento existe apenas guerra. Sem compromisso. Sem interrupção. Milhares de milhões de humanos lutam através da galáxia em nome do Deus Imperador, aprisionado para todo sempre em animação suspensa na Terra. Os Space Marines (Astartes) são a maior arma do arsenal humano, guerreiros imparáveis treinados e condicionados geneticamente para alcançarem a perfeição bélica. Dentro das várias legiões de Astartes uma das mais prestigiadas é sem dúvida a dos Ultramarines e é sobre eles que este filme fala. Nas profundezas do espaço, a bordo de um transporte espacial, o esquadrão Ultima recebe um comunicado de emergência do planeta Mithron. Um planeta desértico e periférico no espaço imperial cuja única importância (e razão para existir presença humana) é a ser um santuário ao Deus Imperador e conter uma relíquia sagrada guardada por uma companhia de Imperial Fists. Sabendo que para este pedido ter sido emitido a situação deve ser mesmo grave o capitão Severus avança mesmo tendo apenas o apoio dos dez astartes do esquadrão Ultima. É um estranho esquadrão, constituído por um comandante que já viu quase tudo e soldados que ainda estão bastante verdes sendo esta a sua missão de teste. Sozinhos num planeta aparentemente abandonado estes homens encontram apenas escombros do santuário e sinais claros de um massacre das forças imperiais presentes. Mas se foi esse o caso e os poderes do Caos chegaram a este mundo então onde se encontram? Que força de ataque foi forte o suficiente para aniquilar completamente uma companhia inteira de Space Marines?

A chegada ao inferno...

Quando este projecto surgiu  fiquei bastante entusiasmado porque como os leitores deste espaço sabem eu sou um grande fã do universo Warhammer. Não sabia muito bem o que esperar porque é realmente um projecto único, um filme de animação de longa duração sobre um dos universos de ficção científica mais interessantes que existem. O argumento (como não podia deixar de ser) é da autoria de Dan Abnett o “poster boy” da escrita da Black Library e tem alguma consistência apesar de eu achar que não está ao nível do resto da sua obra.  Ao longo de 70 minutos temos uma pequena amostra do que é a vida destes super-soldados, como pensam, como combatem, o que os motiva e o que os atormenta. De certa forma é um filme mais humano daquilo que estava à espera já que a história gira muito à volta de temas como a confiança (a paranóia é constante quando se lida como poderes do Caos que podem corromper qualquer um), a autoridade (um tema mais militar) e a ânsia de dar provas de que se vale alguma coisa – tudo áreas que permitem uma identificação quase imediata com qualquer leitor. Como fita-cola de todo o filme temos um elemento de suspense constante que nos deixa sempre à espera do que vai acontecer e liga muito bem os momentos de acção (tomara muitos filmes de horror terem consigo criar esta atmosfera tensa mas expectante). Numa nota menos positiva: ao focar-se tanto no elemento pessoal o filme acaba por dar uma ideia muito fraca do ambiente geral do setting Warhammer o que pode ser algo problemático a quem não conhece quase nada – muito poucas explicações sobre as facções envolvidas, as leis de funcionamento deste universo e ainda menos contexto político/conspirativo que costuma fazer parte deste tipo de narrativas.

Isolados num deserto imenso sem saber o que esperar...

De um ponto de vista gráfico o filme está muito agradável mas não está muito acima das animações que já foram feitas para os vários jogos Warhammer para PC – de certa forma esperava um pouco mais neste campo (tenho a certeza que o próximo filme terá um orçamento maior e permitirá isso). As vozes foram muito bem escolhidas e só posso dar os meus parabéns aos actores que lhes deram vida: Terrence Stamp, Sean Pertwee e o grande John Hurt. A personagem principal (não vou entrar muito neste campo porque sinceramente não é muito relevante para a progressão da história) que é escolhida para encarnar as virtudes do Ultramarines (quando chegarem ao fim do filme perceberão o que quero dizer) é sem dúvida o irmão Proteus e quase se podia dizer que o filme é o primeiro capítulo da sua vida activa. Com alguma personalidade distinta ainda temos os velho capitão Severus que tenta liderar uma missão que quase tem a certeza ser suicida e o “médico” do esquadrão, Carnak, que tem tanta experiência como Severus e tudo faz para arrefecer os ânimos dos novatos. Acaba por ser uma mistura entre um prólogo de grandes eventos que ainda estão por vir e um episódio heróico recordado para todo sempre como história moral.

I am Steel, I am Doom, I march For Macragge And I Know No Fear!

Nota: 8/10

Nota: Este filme só está disponível através do site dos próprios produtores do filme.

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