Hull Zero Three

Posted: Julho 19, 2012 in Ficção Cientifica, Greg Bear, Livro
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Uma nave espacial gira no espaço com rumo desconhecido. Dentro dela um homem acorda repentinamente. Num minuto está a viver idilicamente no “dreamtime”, o espaço virtual para os que estão congelados até à altura de colonizar o planeta de destino, e no próximo está a sair do seu casulo para encontrar uma nave gelada e hostil que não parece querer que ele sobreviva. Não sabe o seu nome, não reconhece a nave, não tem qualquer memória da rapariga que o acompanha e que lhe salvou a vida ao impedir que morresse congelado no seu casulo. A única certeza que tem é que algo correu mal. Alguma coisa sucedeu durante a sua hibernação que alterou radicalmente a nave em que viagem que está agora povoada por criaturas não humanas, algumas que, como ele, apenas querem sobreviver e outras que parecem ter sido desenhadas para caçar. Mas antes de se poder dedicar à procura de respostas sobre o passado terá que se preocupar em sobreviver num ambiente que parece desenhado para o matar. Talvez, com sorte, passado algum tempo consiga ter oportunidade de obter algumas respostas.

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Uma capa simples e funcional. Um pouco como o livro.

A história usa um conceito inicial bastante bom, o do homem solitário que tem que sobreviver num ambiente em que desconhece as regras básicas. O tom da escrita é inicialmente cativante porque Greg Bear consegue capturar bastante bem o estado mental da sua personagem principal. A confusão, o cansaço, a fome e a ignorância estão todas bem retratadas e a escrita varia perceptivelmente quando o estado mental muda. Por representar bastante bem estas variações acaba por ser algo cansativo para o leitor já que o tempo de concentração da personagem em qualquer tema ou objecto tende a ser tão curto que ficamos sempre com descrições algo superficiais de eventos e personagens que não nos permitem obter o nível de detalhes que gostaríamos. Por sua vez a superficialidade do envolvimento com meio leva, por mais que uma vez, a uma sensação de que a escrita é apressada e que a história está a avançar quase sozinha, sem motivações concretas ou razões que expliquem o porquê das acções. Para os fãs de “hard scifi” a experiência é algo melhor já que Bear, como é seu hábito, dedica uma boa parte do seu tempo a explicar o funcionamento técnico das máquinas presentes neste universo tentando com que tudo faça sentido.

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Uma versão alternativa. Não muito diferente mas talvez mais evocativa.

As personagens são a parte mais frágil desta obra. São demasiado superficiais. E aqui podemos discutir se isto se deve a uma questão de estilo do autor (que tendo realmente a privilegiar o aspeto tecnológico das suas histórias) ou a uma tentativa deliberada de transmitir aos leitores uma sensação de caos mental e vidas que são tão perigosas que não há tempo para desenvolvimentos interpessoais ou introspeção – provavelmente será um pouco de ambas. Seja como for o efeito acaba por ser um conjunto de personagens sem qualquer profundidade que não tornam a identificação com o leitor nada fácil. Em termos de perspetivas usadas na narrativa estamos perante uma obra que usa apenas um ponto de vista sendo toda a ação vista pelos olhos do nosso “recém acordado”. As personagens secundárias adicionam alguma cor ao cenário interno algo árido do nosso herói mas não tanto como seria possível já que mais uma vez o autor escolhe centrar-se sobre a sua função técnica em total detrimento das suas personalidades e interesses.

Poderá parecer que não apreciei o livro ou a escrita do autor mas se me centro nos aspetos negativos da obra é precisamente por ter até gostado da viagem e pensar que com algumas alterações de perspetiva o autor poderia ter criado uma obra muito mais interessante que não daria a impressão de estar inacabada, de lhe faltar alguma substância ou de reter demasiada informação vital quase até ao final do livro. Mesmo assim “Hull Zero Three” é uma obra de ficção científica pura e dura de fácil leitura, requer pouca concentração por parte do leitor (não existem muitos detalhes da história a recordar) e providencia umas boas horas de diversão apesar de provavelmente não ir ficar na memória passado algum tempo.

Nota: 7.5/10 

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