Archive for the ‘Capas’ Category

Os livros que me convenceram.

O Clube Dumas – Arturo Pérez-Reverte

Pode um livro ser alvo de investigação policial como se de um crime se tratasse? Podem as suas páginas ser encaradas como pistas para um mistério com três séculos?
Lucas Corso, especialista em descobrir edições raras, está a tentar responder a este enigma quando é incumbido de uma dupla missão: autenticar um manuscrito de Os Três Mosqueteiros e decifrar o mistério de um livro queimado em 1667 e que, afirma a lenda, foi co-escrito por Satanás.
Dos arquivos do Santo Ofício às poeirentas estantes dos alfarrabistas e às mais selectas bibliotecas internacionais, Corso é atraído para uma teia de rituais satânicos, práticas ocultas e duelos com um elenco de personagens estranhamente semelhante ao da obra-prima de Alexandre Dumas. Auxiliado por uma beldade misteriosa com o nome de uma heroína de Arthur Conan Doyle, este «caçador de livros« parte de Madrid rumo a Paris, passando por Sintra, em perseguição de um sinistro e aparentemente omnisciente assassino.

O Cemitério de Praga – Umberto Eco

Durante o século XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres num esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades do Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, a disseminação gradual daquela falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios de Sião (que inspirará a Hitler os campos de extermínio), jesuítas que tramam contra maçons, maçons, carbonários e mazzinianos que estrangulam padres com as suas próprias tripas, um Garibaldi artrítico com as pernas tortas, os planos dos serviços secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, os massacres numa Paris da Comuna em que se comem os ratos, golpes de punhal, horrendas e fétidas reuniões por parte de criminosos que entre os vapores do absinto planeiam explosões e revoltas de rua, barbas falsas, falsos notários, testamentos enganosos, irmandades diabólicas e missas negras. Óptimo material para um romance-folhetim de estilo oitocentista, para mais, ilustrado com os feuilletons daquela época. Há aqui do que contentar o pior dos leitores. Salvo um pormenor. Excepto o protagonista, todos os outros personagens deste romance existiram realmente e fizeram aquilo que fizeram. E até o protagonista faz coisas que foram verdadeiramente feitas, salvo que faz muitas que provavelmente tiveram autores diferentes. Mas quando alguém se movimenta entre serviços secretos, agentes duplos, oficiais traidores e eclesiásticos pecadores, tudo pode acontecer. Até o único personagem inventado desta história ser o mais verdadeiro de todos, e se assemelhar muitíssimo a outros que estão ainda entre nós. Um romance fantástico, de um autor que uma vez mais mostra saber como nenhum outro combinar erudição, humor e reflexão.

A Mentira Sagrada – Luís Miguel Rocha

Na noite da sua eleição para o Trono de São Pedro, o Papa Bento XVI, como todos os seus antecessores, tem de ler um documento antigo que esconde o segredo mais bem guardado da História – a Mentira Sagrada.

Em Londres, um Evangelho misterioso na posse de um milionário israelita contém informações sobre esse segredo. Se cair nas mãos erradas pode revelar ao mundo uma verdade chocante.
Rafael, um agente do Vaticano, é enviado para investigar o Evangelho… e descobre algo que pode abalar não só a sua fé mas também os pilares da Igreja Católica.
Que segredos guardará o Papa? E que verdade esconde o misterioso Evangelho?

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Os ingleses decidiram mimar os leitores e toda a obra de China Miéville irá ter direito a capas novas para ficar uma colecção esteticamente coerente e bem atractiva na estante de alguém – apesar de os livros em si não serem continuações uns dos outros, cada um é de facto completamente autónomo.

Capa favorita: The Scar

King Rat (1998), Perdido Street Station (2000) e The Scar (2002).

Capa favorita: The Iron Council

Iron Council (2004), Looking for Jake and other Stories (2005), Un Lun Dun (2007).

Capa favorita: Embassytown

 The City and The City (2009), Kraken (2010) e Embassytown (previsto para 2011).  

 

Quase que dá vontade de dizer que seria uma altura perfeita para alguma editora mais aventurosa ter iniciativa e aproveitar para começar a publicação de Miéville em Portugal!

Este pequeno tomo de horrores (certamente também será um manuscrito maldito) regala-nos com três terríveis histórias para gelar o sangue numa noite de Inverno. As histórias são apresentadas por ordem de tamanho, da mais pequena para a maior, e por ordem de ritmo, da mais calma (mesmo indolente) para a mais frenética e provavelmente devem ser lidas de seguida para não se perder o comboio emocional.

 

Uma capa bem pensada e chamativa.

Começamos pela “Sombra de Ninguém” que serve de Hors d’oeuvre para esta refeição diabólica. Um estranho poder para tornar visível os elementos invisíveis pode acabar de forma inesperada quando aparece alguém que tornou invisível aquilo que todos deveriam poder ver. Seguimos para a “Luz Miserável” que é um conto cruel de três soldados, o medroso, o maldoso e o moribundo, que reúnem anos depois do fim da guerra em África para tentarem evitar pagar o preço dos seus crimes; alguém os virá buscar agora, no ocaso da sua vida, e só uma hábil artimanha poderá evitar a vingança dos mortos. Tudo acaba com o “Rei Assobio” no qual espreitamos para uma infância estranha passada no Portugal profundo do antigamente. Uma marca no passado causa uma vida dedicada à tentativa de vingar o mal que lhe foi feito e neste combate serão recrutados soldados inocentes que não fazem ideia daquilo em que se acabaram de meter.

 

Uma estética original e bem pensada.

 

As histórias convencem e estão ao nível que seria esperar de David Soares apesar de pessoalmente pensar que a primeira destoa bastante das outras duas e que é um pouco mais fraca. Já me disseram que existiam elementos de ligação nestes contos ao resto da obra do autor e de facto detectei alguns (admito que haja mais mas infelizmente não tenho uma memória fotográfica e há detalhes que podem escapar-me) mas nada que me permita dizer à partida enquadrar o que estou a ler num universo já construído – se há relação com o que foi escrito anteriormente parece ser tangencial. Outra questão, além da relação das histórias entre si e com o resto da obra de David Soares, é a dimensão que para mim desilude. Sabe a pouco quando lemos algo bem escrito e ficamos com a sensação que há ligações que estão prestes a ser reveladas e ficam suspensas no ar das conclusões abertas.

Um aspecto que convém realçar é a parte gráfica do livro em que se nota um trabalho primoroso, a capa é belíssima e o toque especial das páginas negras dá o seu charme a esta edição. É um presente de natal bem diferente para quem gostar de evitar os habituais livros glicodoces que é costume oferecer nesta quadra.

 

Nota: 8/10

No correio

Posted: Novembro 25, 2010 in Capas, Fantasia, Militar, Paul Kearney
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The Monarchies of God finalmente!

Estes dois presentes de natal adiantados (de mim para mim 🙂 ) chegaram há pouco tempo à minha caixa de correio e posso dizer que finalmente tenho as versões omnibus do “The Monarchies of God” de Paul Kearney. Há anos que os livros originais não eram editados e esta oportunidade deve ser agarrada com ambas as mãos porque uma série destas não aparece todos os dias. A história é épica e foi escrita por um mestre do género que sabe o que está a fazer. Sugiro a todos que sigam o meu exemplo e arranjem estes livros para leitura no natal ou ano novo. Aqui fica a introdução:

“The world is in turmoil. In the east the savage Mer­duks, followers of the Prophet Ahrimuz, have cap­tured the holy city of Aekir. The western kingdoms are too distracted by internecine bickering to intervene and the Chruch seems more obsessed with rooting out heresy. It is an age where men go to the stake for the taint of magic in their blood, where gunpowder and cannon co-exit with werewolves and sorcerers. It is the turning point when two get reilgions will fight to the death and the common folk will struggle to merely survive.”

Novidade

Posted: Novembro 14, 2010 in Capas, Fantasia, Lev Grossman, Novidades
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“Quentin Coldwater, um aluno do liceu intelectualmente precoce, foge ao tédio da vida diária lendo e relendo uma série de livros de fantasia passados num país encantado chamado Fillory. Como toda a gente, o jovem parte do princípio de que a magia não é real, até que se vê de repente admitido num colégio de magia muito secreto e muito exclusivo, a norte de Nova Iorque. Ao atravessar uma viela de Brooklyn, no Inverno, Quentin vê-se, em pleno fim de Verão, nos terrenos do idílico Colégio de Pedagogia Mágica de Brakebills e depois de passar por um difícil exame de admissão, inicia um complicado e rigoroso curso de feitiçaria moderna, ao mesmo tempo que descobre as alegrias da vida escolar: amizade, amor, sexo e bebida. Porém, falta-lhe qualquer coisa. Ao mesmo tempo que aprende a lançar feitiços, a transformar-se em animal e a adquirir poderes com que nunca sonhara, Quentin descobre que a magia não lhe dá a felicidade e a aventura com que sonhava.”

“Psicologicamente penetrante e muito absorvente, Os Mágicos transita por um território desconhecido, imaginando a magia como uma actividade praticada por pessoas de carne e osso, com desejos, caprichos e emoções voláteis. Lev Grossman criou um mundo bastante original em que o bem e o mal não são absolutos, em que sexo e amor não são simples ou inocentes e onde a ambição pelo poder tem um preço terrível.”

Li este livro há cerca de um ano e apesar de ter as minhas dúvidas iniciais acabei por gostar e ficar impressionado com a forma como o Lev Grossman brinca com os estereótipos de fantasia. “Os mágicos” foi editado pela Planeta editora.

Saiu há pouco tempo o que parece ser a capa definitiva do último livro da série Malazan Book of the Fallen. A arte está muito boa mesmo e dá vontade de acelerar o tempo uns meses para pôr as mãos num exemplar. Por enquanto esta série, uma das melhores e mais vendidas da última década, não foi traduzida para português – suponho que pelo tamanho maciço de cada volume que costuma ultrapassar as mil páginas (antes isso que parar a meio como foi feito com a série Wheel of Time).