Archive for the ‘China Miéville’ Category

Os ingleses decidiram mimar os leitores e toda a obra de China Miéville irá ter direito a capas novas para ficar uma colecção esteticamente coerente e bem atractiva na estante de alguém – apesar de os livros em si não serem continuações uns dos outros, cada um é de facto completamente autónomo.

Capa favorita: The Scar

King Rat (1998), Perdido Street Station (2000) e The Scar (2002).

Capa favorita: The Iron Council

Iron Council (2004), Looking for Jake and other Stories (2005), Un Lun Dun (2007).

Capa favorita: Embassytown

 The City and The City (2009), Kraken (2010) e Embassytown (previsto para 2011).  

 

Quase que dá vontade de dizer que seria uma altura perfeita para alguma editora mais aventurosa ter iniciativa e aproveitar para começar a publicação de Miéville em Portugal!

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Tinha ficado de olho em China Miéville desde há cerca de dois anos quando li o Perdido Street Station e fiquei de boca aberta. Como é que este senhor me tinha passado ao lado durante tanto tempo? Por alguma razão no meio das confusões da minha vida acabei por deixar passar algum tempo até que o autor lançou o seu livro mais recente, Kraken (que também irei ler!), e eu lá encomendei mais três livros dele. Escolhi King Rat em detrimento de outros porque gosto de ler as coisas por ordem cronológica mesmo quando os livros não estão relacionados entre si. Penso que fiz uma boa escolha 🙂

A minha edição

O livro começa com a destruição da vida de Saul, um jovem adulto que vive em Londres e tem uma relação distante com o seu pai. Este é assassinado por um homem misterioso e a polícia, sem outros suspeitos, acusa Saul do feito. Atirado para uma cela sem saber bem o que se passou ou de que pode ser acusado recebe a visita de um estranho ser, King Rat (literalmente rei das ratazanas), que o quer salvar porque é seu tio. Introduzido a um novo mundo subterrâneo que partilha com as ratazanas (súbditos do seu tio) Saul descobre novos poderes (velocidade, força, agilidade, etc) que nunca suspeitou ter e acaba por entender que apesar de tudo o que aconteceu é possível construir uma nova vida. Só que quem matou o pai de Saul não está disposto a deixar que ele escape. Não haverá amanhã para Saul se ele não descobrir o que se passou e quem anda atrás dele e do próprio King Rat, de Loplop (rei dos pássaros) e de Anansi (rei das aranhas). Quem é poderoso o suficiente para tentar destruir três monarcas do reino animal e porquê o interesse em Saul quando ele próprio não sabia dos seus poderes?

 

Miéville tem um talento nato para escrever histórias em settings urbanos. Já tinha tido essa impressão em Perdido Street Station e confirmo isso com King Rat. A cidade, dos esgotos às discotecas, ganha vida nas suas palavras e todos os elementos adquirem uma dinâmica que os transforma de simples cenário para acção num elemento constante que pulsa ao longo de todos os eventos e personagens; para mim, que sou fã de ambientes urbanos, ter um escritor que consiga dar vida ao betão e tijolo é algo fenomenal e acrescenta valor a qualquer livro. De forma apropriada neste ambiente mágico o livro ganha proporções de história de encantar para adultos à medida que personagens mitológicas ganham vida e forma à volta de Saul e da sua nova vida. É uma mistura interessante de conto de fadas, mistério e alguma introspecção (apesar de este último elemento estar presente de forma mais “light” que os outros).

O Autor

 A história pode também ser lida como uma metáfora para a vida urbana, sofisticada mas ao mesmo tempo artificial e por vezes sem sentido, cheia de mentiras aceites de forma colectiva de forma a não sermos incomodados. Um livro indispensável para fãs de urban fantasy (e sim este é dos poucos autores que escreve livros que mereçam esse nome) e serve de introdução a quem nunca leu nada do de Miéville já que é bastante menos complexo que outros livros escritos posteriormente.

Nota: 8.5/10