Archive for the ‘Horror’ Category

No futuro sangrento existe apenas guerra. Sem compromisso. Sem interrupção. Milhares de milhões de humanos lutam através da galáxia em nome do Deus Imperador, aprisionado para todo sempre em animação suspensa na Terra. Os Space Marines (Astartes) são a maior arma do arsenal humano, guerreiros imparáveis treinados e condicionados geneticamente para alcançarem a perfeição bélica. Dentro das várias legiões de Astartes uma das mais prestigiadas é sem dúvida a dos Ultramarines e é sobre eles que este filme fala. Nas profundezas do espaço, a bordo de um transporte espacial, o esquadrão Ultima recebe um comunicado de emergência do planeta Mithron. Um planeta desértico e periférico no espaço imperial cuja única importância (e razão para existir presença humana) é a ser um santuário ao Deus Imperador e conter uma relíquia sagrada guardada por uma companhia de Imperial Fists. Sabendo que para este pedido ter sido emitido a situação deve ser mesmo grave o capitão Severus avança mesmo tendo apenas o apoio dos dez astartes do esquadrão Ultima. É um estranho esquadrão, constituído por um comandante que já viu quase tudo e soldados que ainda estão bastante verdes sendo esta a sua missão de teste. Sozinhos num planeta aparentemente abandonado estes homens encontram apenas escombros do santuário e sinais claros de um massacre das forças imperiais presentes. Mas se foi esse o caso e os poderes do Caos chegaram a este mundo então onde se encontram? Que força de ataque foi forte o suficiente para aniquilar completamente uma companhia inteira de Space Marines?

A chegada ao inferno...

Quando este projecto surgiu  fiquei bastante entusiasmado porque como os leitores deste espaço sabem eu sou um grande fã do universo Warhammer. Não sabia muito bem o que esperar porque é realmente um projecto único, um filme de animação de longa duração sobre um dos universos de ficção científica mais interessantes que existem. O argumento (como não podia deixar de ser) é da autoria de Dan Abnett o “poster boy” da escrita da Black Library e tem alguma consistência apesar de eu achar que não está ao nível do resto da sua obra.  Ao longo de 70 minutos temos uma pequena amostra do que é a vida destes super-soldados, como pensam, como combatem, o que os motiva e o que os atormenta. De certa forma é um filme mais humano daquilo que estava à espera já que a história gira muito à volta de temas como a confiança (a paranóia é constante quando se lida como poderes do Caos que podem corromper qualquer um), a autoridade (um tema mais militar) e a ânsia de dar provas de que se vale alguma coisa – tudo áreas que permitem uma identificação quase imediata com qualquer leitor. Como fita-cola de todo o filme temos um elemento de suspense constante que nos deixa sempre à espera do que vai acontecer e liga muito bem os momentos de acção (tomara muitos filmes de horror terem consigo criar esta atmosfera tensa mas expectante). Numa nota menos positiva: ao focar-se tanto no elemento pessoal o filme acaba por dar uma ideia muito fraca do ambiente geral do setting Warhammer o que pode ser algo problemático a quem não conhece quase nada – muito poucas explicações sobre as facções envolvidas, as leis de funcionamento deste universo e ainda menos contexto político/conspirativo que costuma fazer parte deste tipo de narrativas.

Isolados num deserto imenso sem saber o que esperar...

De um ponto de vista gráfico o filme está muito agradável mas não está muito acima das animações que já foram feitas para os vários jogos Warhammer para PC – de certa forma esperava um pouco mais neste campo (tenho a certeza que o próximo filme terá um orçamento maior e permitirá isso). As vozes foram muito bem escolhidas e só posso dar os meus parabéns aos actores que lhes deram vida: Terrence Stamp, Sean Pertwee e o grande John Hurt. A personagem principal (não vou entrar muito neste campo porque sinceramente não é muito relevante para a progressão da história) que é escolhida para encarnar as virtudes do Ultramarines (quando chegarem ao fim do filme perceberão o que quero dizer) é sem dúvida o irmão Proteus e quase se podia dizer que o filme é o primeiro capítulo da sua vida activa. Com alguma personalidade distinta ainda temos os velho capitão Severus que tenta liderar uma missão que quase tem a certeza ser suicida e o “médico” do esquadrão, Carnak, que tem tanta experiência como Severus e tudo faz para arrefecer os ânimos dos novatos. Acaba por ser uma mistura entre um prólogo de grandes eventos que ainda estão por vir e um episódio heróico recordado para todo sempre como história moral.

I am Steel, I am Doom, I march For Macragge And I Know No Fear!

Nota: 8/10

Nota: Este filme só está disponível através do site dos próprios produtores do filme.

Os livros que me convenceram.

O Clube Dumas – Arturo Pérez-Reverte

Pode um livro ser alvo de investigação policial como se de um crime se tratasse? Podem as suas páginas ser encaradas como pistas para um mistério com três séculos?
Lucas Corso, especialista em descobrir edições raras, está a tentar responder a este enigma quando é incumbido de uma dupla missão: autenticar um manuscrito de Os Três Mosqueteiros e decifrar o mistério de um livro queimado em 1667 e que, afirma a lenda, foi co-escrito por Satanás.
Dos arquivos do Santo Ofício às poeirentas estantes dos alfarrabistas e às mais selectas bibliotecas internacionais, Corso é atraído para uma teia de rituais satânicos, práticas ocultas e duelos com um elenco de personagens estranhamente semelhante ao da obra-prima de Alexandre Dumas. Auxiliado por uma beldade misteriosa com o nome de uma heroína de Arthur Conan Doyle, este «caçador de livros« parte de Madrid rumo a Paris, passando por Sintra, em perseguição de um sinistro e aparentemente omnisciente assassino.

O Cemitério de Praga – Umberto Eco

Durante o século XIX, entre Turim, Palermo e Paris, encontramos uma satanista histérica, um abade que morre duas vezes, alguns cadáveres num esgoto parisiense, um garibaldino que se chamava Ippolito Nievo, desaparecido no mar nas proximidades do Stromboli, o falso bordereau de Dreyfus para a embaixada alemã, a disseminação gradual daquela falsificação conhecida como Os Protocolos dos Sábios de Sião (que inspirará a Hitler os campos de extermínio), jesuítas que tramam contra maçons, maçons, carbonários e mazzinianos que estrangulam padres com as suas próprias tripas, um Garibaldi artrítico com as pernas tortas, os planos dos serviços secretos piemonteses, franceses, prussianos e russos, os massacres numa Paris da Comuna em que se comem os ratos, golpes de punhal, horrendas e fétidas reuniões por parte de criminosos que entre os vapores do absinto planeiam explosões e revoltas de rua, barbas falsas, falsos notários, testamentos enganosos, irmandades diabólicas e missas negras. Óptimo material para um romance-folhetim de estilo oitocentista, para mais, ilustrado com os feuilletons daquela época. Há aqui do que contentar o pior dos leitores. Salvo um pormenor. Excepto o protagonista, todos os outros personagens deste romance existiram realmente e fizeram aquilo que fizeram. E até o protagonista faz coisas que foram verdadeiramente feitas, salvo que faz muitas que provavelmente tiveram autores diferentes. Mas quando alguém se movimenta entre serviços secretos, agentes duplos, oficiais traidores e eclesiásticos pecadores, tudo pode acontecer. Até o único personagem inventado desta história ser o mais verdadeiro de todos, e se assemelhar muitíssimo a outros que estão ainda entre nós. Um romance fantástico, de um autor que uma vez mais mostra saber como nenhum outro combinar erudição, humor e reflexão.

A Mentira Sagrada – Luís Miguel Rocha

Na noite da sua eleição para o Trono de São Pedro, o Papa Bento XVI, como todos os seus antecessores, tem de ler um documento antigo que esconde o segredo mais bem guardado da História – a Mentira Sagrada.

Em Londres, um Evangelho misterioso na posse de um milionário israelita contém informações sobre esse segredo. Se cair nas mãos erradas pode revelar ao mundo uma verdade chocante.
Rafael, um agente do Vaticano, é enviado para investigar o Evangelho… e descobre algo que pode abalar não só a sua fé mas também os pilares da Igreja Católica.
Que segredos guardará o Papa? E que verdade esconde o misterioso Evangelho?

Solomon Kane

Posted: Março 17, 2011 in Fantasia, Filme, Horror, Sobrenatural
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Esteticamente seria complicado pedir melhor.

Transformar os heróis literários, e da BD, em filmes parece ser uma tendência bastante constante dos últimos dez anos e tem produzido resultados de qualidade variável, oscilando entre os horríveis Fantastic Four e o épico V For Vendetta (que mesmo apesar de Alan Moore se ter desvinculado do projecto consegue, na minha opinião, ser um dos melhores filmes políticos dos últimos tempos). Neste caso pegaram num clássico da aventura Sword and Sorcery de Robert E. Howard (o mesmo homem que criou Conan o Bárbaro) Solomon Kane. Um herói sombrio e relutante que se condena a si próprio por um acto pelo qual não é verdadeiramente responsável e em virtude disso escolhe viver como um corsário e mercenário na Europa do século XVI. Isto até que a o diabo decide que o Kane já se divertiu o suficiente e envia um dos seus servos para recolher a sua alma. Sem aceitar tal destino e muito menos o preço de um acordo que nunca fez Solomon Kane escapa e renúncia à violência vivendo a partir dessa altura como um simples monge para compensar os seus anos mais violentos. Mas claro que as coisas não são tão simples. Em Inglaterra uma força negra assola o país sendo que cada vez mais são arrastados para um culto negro com cada dia que passa. Os monges sabem tudo isto e pressentem que o seu mais recente irmão é a arma que deus escolheu para enfrentar estes tempos perigosos. Arrastado de novo para o mundo secular em que não lhe resta senão o combate contra a escuridão crescente Solomon tudo fará para encontrar um novo caminho para a sua vida e fé.

 

The Reaper has come to claim you...

O elenco está muito bem escolhido sendo que James Purefoy é um Solomon Kane convincente, um peregrino, homem de deus arrependido que tem que encontrar um caminho para a redenção que não passa pelo que ele desejaria, o abandono da guerra. Os momentos de indecisão da personagem estão bem espaçados e as mudanças que surgem fazem sentido no desenvolvimento da história (definitivamente não estamos perante um herói simples ou unidimensional). William Crowthorne (Pete Postlethwaite em bom estilo, como é habitual) e sua família servem não só como motivador do centro da trama (o tradicional, batido e cansativo, resgate da donzela para a devolver à família – mesmo assim o filme resiste à criação artificial de um romance o que é um alívio) como serve também de explicação para o espectador, e para o próprio Kane, sobre o que é uma vida normal e qual é o seu caminho. Nenhuma aventura heróica está completa sem uns vilões e neste caso temos três. O primeiro é Malachi (Jason Flemyng) o feiticeiro que está por detrás do maléfico culto e só aparece quase no fim sendo de resto apenas uma presença ameaçadora mas vaga (um pouco como a figura do Imperador na saga Star Wars); o segundo é o general das forças de Malachi que não tem nome sendo apenas um enorme guerreiro que usa sempre uma máscara (à la Darth Vader); e por fim a própria natureza dos homens que se convertem a este perverso culto cedendo às suas piores pulsões. Como um todo é um alívio ver um filme com actuações dignas desse nome e que mesmo assim não tem medo nem vergonha de fazer cenas de acção emocionantes.

 

É isto que o Sanctum sanctorum de um ser diabólico é suposto ser.

Para uma adaptação de uma personagem derivada de escrita pulp o filme está muito melhor do que aquilo que me atrevi a esperar – e fiquei muito desiludido quando este file saiu para distribuição geral e quase nenhum cinema o colocou, mesmo que não se goste dos elementos negros e taciturnos, ou da complexidade, das personagens sobra sempre um bom filme de acção, fico com a impressão que com um pouco mais de investimento em publicidade este filme poderia ter sido um grande sucesso comercial. Há introspecção suficiente para tornar Kane e os que o rodeiam em seres reais com quem sentimos empatia e em quem depositamos esperança mas o lado do combate (e alguns efeitos especiais bem feitos e bem espaçados – usados em moderação têm um efeito mais interessante do que as orgias de CGI que temos visto nos últimos conseguem – sim estou a olhar para ti “Avatar”) não é descurado e consegue dar momentos de adrenalina à história. Penso que o realizador (Michael Bassett) soube equilibrar tudo muito bem criando algo que é fácil de ver mas ao mesmo tempo é bastante inteligente e variado. Por acaso até não me importava de voltar a acompanhar Solomon Kane noutras aventuras se a qualidade for esta 🙂

 

Nota: 8.5/10

 

Uma boa capa - há elementos que sugerem um ambiente vitoriano que me agrada muito.

 

“Cerca de 200 anos depois de ter criado o seu monstro, Victor Frankenstein (agora conhecido por Victor Helios), instalou-se em Nova Orleães. As suas experiências e a sua investigação estão cada vez mais sofisticadas; já não tem de roubar cadáveres em cemitérios para construir as suas criaturas, e desenvolveu uma tecnologia que lhe permite escapar ao envelhecimento. O seu plano consiste em propagar por Nova Orleães espécimes da sua Nova Raça de criaturas perfeitas, destinadas a exterminar e a substituir os «imperfeitos» seres humanos. A única criatura capaz de travar este plano diabólico é o misterioso Deucalião – o primeiro «monstro» criado por Frankenstein. Aparentemente imortal e indestrutível, Deucalião parece possuir também alma e uma consciência quase humanas. Mas será isso suficiente para impedir os planos do seu monstruoso criador?”

Nunca li nada de Dean Koontz mas este livro chamou-me mesmo a atenção e provavelmente será a minha próxima aquisição em português. É editado pela Contraponto (parte da Bertrand) e, a julgar pelas imagens no fim do livro, o lançamento dos dois volumes seguintes da trilogia já está previsto (esperemos que de forma mais ou menos rápida já que se torna muito frustrante ter que esperar eternidades por continuações que já foram escritas). Existe uma segunda trilogia sobre o mesmo tema e personagens que foi começada em 2010 com o livro “Lost Souls” estando o segundo e terceiro volumes previstos para 2011 e 2012 respectivamente – não existem datas previstas para a sua edição em Portugal (provavelmente dependerá do sucesso comercial da primeira série).

Este livro começa ligeiramente antes dos eventos finais do anterior livro da saga Horus Heresy, Galaxy in Flames, e muda a perspectiva dos anteriores três volumes ao introduzir uma nova personagem principal, Garro, Capitão na XIV legião, a Death Guard. Somos inseridos logo  na acção quando Garro comanda a sua companhia no ataque a uma nave alienígena que ousou entrar em espaço imperial. Este, não tão pequeno, episódio serve de introdução ao espaço mental deste soldado e é uma forma de adaptação, para o leitor, a outros espaços e realidades que não tinham aparecido antes nesta série – uma nova perspectiva sobre a grande cruzada do Imperador, conhecemos mais um Primarch, Mortarion o Senhor da Morte, e acima de tudo a uma nova cultura (cada legião tem o seu código e características especificas). Eventualmente somos levados aos eventos de Isstvan III onde Horus trai os astartes que permaneceram fieis ao Império bombardeando o planeta onde estão colocados com armas químicas. Garro e a sua equipa de comando conseguem evitar este fim por um acaso e recrutam a fragata Eisenstein na sua fuga para avisar a Terra da defecção do seu campeão. Mas a viagem promete ser dura. Para começar há outra equipa de astartes a bordo da nave que não partilha das lealdades do nosso herói; em segundo lugar o espaço Warp está a conspirar  contra esta viagem à medida que os deuses do caos despertam para o nosso universo e por último mesmo que consigam chegar ao seu destino não sabem em quem podem confiar esta informação vital para a sobrevivência da humanidade. Até onde chega a corrupção do caos?

 

Não é a minha capa favorita mas funciona.

A forma como o último livro da série acabava não deixava espaço para dúvidas que novas personagens teriam que ser introduzidas mas James Swallow quase que só nos introduz uma, Garro. O resto do cast do livro é composto por personagens secundárias da equipa do capitão que não têm autonomia ou interesse para serem desenvolvidas em grande detalhes e algumas que vieram de livros anteriores como a “Santa” Keeler ou o velho capitão Qruze mas que também não são desenvolvidas em detalhe, aliás estas são praticamente ignoradas ou descritas de forma superficial. Tudo assenta então sobre o heróico capitão e a sua missão de entregar a mensagem de aviso. Se fosse esta a história toda teríamos um problema  já que Garro não é assim tão interessante (pelo menos à partida) mas felizmente o autor percebeu isso e acrescentou uma dimensão nova à personagem. A fé. Esta série retrata a passagem de um universo em que domina uma visão cientifica para outro em que o sobrenatural é central e Swallow aproveitou a necessidade de fazer essa transição enriquecendo a sua personagem com uma viagem de descoberta espiritual, descoberta na sua fé no Deus-Imperador da humanidade – é verdade que o tema já tinha sido abordado na série mas desta vez é-lhe dado tempo para ser verdadeiramente explorado.

 

The Emperor protects!

Além de haver uma certa pobreza no que toca a personagens (Garro não é tão complexo ou interessante como o seu antecessor, Loken, além de que parece estar quase sozinho sendo todos os outros quase que amostras de personagens ou personagens potenciais) existem sérios problemas de timing neste volume. A introdução é claramente demasiado longa, mesmo para quem não leu mais nada do universo Warhammer os outros três livros anteriores já tinham dado uma boa imagem das características centrais e a insistência do autor em dedicar tanto espaço a informação que já temos diminui o espaço que poderia ter usado para desenvolver uma história autónoma. Também de apontar que o fim (e o combate associado) é demasiado simples, desilude pela solução linear e deixa demasiadas perguntas que tínhamos no inicio do volume sem resposta. Em resumo é um bom livro, que acrescenta algo à série, mas que tem sérias falhas na forma como foi construído o que o impede de estar à altura do seu antecessor. O próximo volume da série, Fulgrim, já está na minha mesa à espera de leitura.

 

Nota: 7.5/10

A Event Horizon é a nave espacial mais sofisticada que a humanidade já construiu e, se tudo correr como é esperado, será capaz de dobrar a própria estrutura do espaço e do tempo para alcançar uma forma de viagem interestelar rápida e eficiente. Na sua viagem experimental, a Proxima Centauri, a Event Horizon desaparece no limite do sistema solar para nunca mais ser vista. Até agora. Ao fim de sete anos regressou vinda do nada e está neste momento a orbitar Neptuno, aparentemente à deriva. É reunida uma equipa de emergência para resgatar a nave perdida e descobrir o que aconteceu há sete anos. Liderada pelo capitão Miller (Laurence Fishburne) esta relutante equipa é acompanhada pelo criador da Event Horizon, o Dr. Weir (Sam Neill), cujo primeiro dever (e obsessão pessoal) é retirar o máximo de informação possível sobre onde a sua criação andou durante estes anos todos. Ao chegar ao seu destino esta equipa começa a ter reveses atrás de reveses e a ter estranhas e horríficas visões que não parecem ser meras alucinações. Somos convidados a assistir às suas tentativas de obter informação, manter a sua sanidade e acima de tudo sobreviver.

A fonte do mal

 

Estão presentes todos os elementos necessários para termos um bom filme de inspiração “Lovecraftiana”. Algo que foi ao abismo entre o espaço e o tempo e voltou, trazendo consigo horrores inimagináveis que assaltam não só os sentidos físicos de quem é exposto a eles mas que faz tombar as próprias barreiras do que consideramos real abrindo a por para todo a espécie de redefinições da realidade. Os personagens são razoavelmente bem desenhados (apesar de serem um pouco unidimensionais – Miller como líder heróico e Weir como um Fausto moderno) e cumprem o papel de nos manter interessados; claro que isto não impede que, na tradição dos filmes de horror, a maioria das personagens secundárias sejam carne para canhão e caiam vítimas dos terrores da Event Horizon. Penso que houve aqui uma oportunidade perdida para aprofundar psicologicamente o medo que não foi usada sendo que as psiques das duas personagens principais poderiam ter produzido imagens mais interessantes.

Do you see now??

 

A acção segue a sempre a bom ritmo e os momentos mais marcantes estão bem divididos ao longo do tempo sendo que não temos enormes períodos mortos. Apesar de existir alguma linearidade no desenvolvimento desta narrativa eu penso que está em geral bem conseguido servindo de boa introdução a um género especifico de horror que aprecio muito, o género do qual Lovecraft foi o mestre e que sabe manter a tensão constante sem ter que cair na gratuitidade – estou a pensar em filmes recentes como Hostel que são verdadeiros festivais de brutalidade estúpida sem complexidade ou interesse. O final é gratificante mas ao mesmo tempo ambíguo o só nos pode deixar com um sorriso nos lábios , talvez algo tenha passado da Event Horizon para o nosso mundo através do ecrã 🙂

Salvação

 

Um filme que gostei muito e que irei com certeza rever no futuro. Vai para a prateleira dos comfort movies cá de casa. Recomendo a todos especialmente quem quiser uma introdução a Lovecraft ou a quem quiser ver uma adaptação cinematográfica dos seus conceitos literários feita com pés e cabeça.

Nota: 8.5/10

Este pequeno tomo de horrores (certamente também será um manuscrito maldito) regala-nos com três terríveis histórias para gelar o sangue numa noite de Inverno. As histórias são apresentadas por ordem de tamanho, da mais pequena para a maior, e por ordem de ritmo, da mais calma (mesmo indolente) para a mais frenética e provavelmente devem ser lidas de seguida para não se perder o comboio emocional.

 

Uma capa bem pensada e chamativa.

Começamos pela “Sombra de Ninguém” que serve de Hors d’oeuvre para esta refeição diabólica. Um estranho poder para tornar visível os elementos invisíveis pode acabar de forma inesperada quando aparece alguém que tornou invisível aquilo que todos deveriam poder ver. Seguimos para a “Luz Miserável” que é um conto cruel de três soldados, o medroso, o maldoso e o moribundo, que reúnem anos depois do fim da guerra em África para tentarem evitar pagar o preço dos seus crimes; alguém os virá buscar agora, no ocaso da sua vida, e só uma hábil artimanha poderá evitar a vingança dos mortos. Tudo acaba com o “Rei Assobio” no qual espreitamos para uma infância estranha passada no Portugal profundo do antigamente. Uma marca no passado causa uma vida dedicada à tentativa de vingar o mal que lhe foi feito e neste combate serão recrutados soldados inocentes que não fazem ideia daquilo em que se acabaram de meter.

 

Uma estética original e bem pensada.

 

As histórias convencem e estão ao nível que seria esperar de David Soares apesar de pessoalmente pensar que a primeira destoa bastante das outras duas e que é um pouco mais fraca. Já me disseram que existiam elementos de ligação nestes contos ao resto da obra do autor e de facto detectei alguns (admito que haja mais mas infelizmente não tenho uma memória fotográfica e há detalhes que podem escapar-me) mas nada que me permita dizer à partida enquadrar o que estou a ler num universo já construído – se há relação com o que foi escrito anteriormente parece ser tangencial. Outra questão, além da relação das histórias entre si e com o resto da obra de David Soares, é a dimensão que para mim desilude. Sabe a pouco quando lemos algo bem escrito e ficamos com a sensação que há ligações que estão prestes a ser reveladas e ficam suspensas no ar das conclusões abertas.

Um aspecto que convém realçar é a parte gráfica do livro em que se nota um trabalho primoroso, a capa é belíssima e o toque especial das páginas negras dá o seu charme a esta edição. É um presente de natal bem diferente para quem gostar de evitar os habituais livros glicodoces que é costume oferecer nesta quadra.

 

Nota: 8/10

Judas Coyne é uma estrela do Heavy Metal em fim de carreira que entre amantes, de passados duvidosos e com idade para serem suas filhas, arranja tempo para acrescentar items à sua bizarra colecção. Entre livros de ocultismo, receitas canibais e filmes snuff está a mais recente adição a este estranho museu; o fato de um homem morto comprado anonimamente através da internet. Ao contrário dos outros objectos que adquiriu ao longo dos anos este fato não é apenas mais um golpe publicitário para agradar a um público com gostos mais negros. De facto parece vir com um fantasma determinado a abrir a vida de Judas, desde a sua infância (passada ao lado de um pai abusivo e uma mãe quase ausente), passando pelos seus anos com a banda que o tornou famoso e que ele depois abandonou até ao presente, em que a sua falta de preocupação com as raparigas com quem se envolve pode ter levado uma delas ao suicídio. Conseguirá Judas sobreviver aos poderes do fantasma? Talvez mais importante ainda, conseguirá ele sobreviver ao seu próprio passado?

Uma capa bem pensada.

Este livro tem estado na minha mesa de cabeceira há já algum tempo e quase que o tinha esquecido até que em arrumações dei com ele debaixo de uma pilha de outros livros. Nunca tinha lido nada do Joe Hill (só tendo publicado ainda dois livros não é talvez de estranhar) mas tinha ficado com boa impressão pela apresentação e resumo e como me estava a apetecer uma dose de horror pareceu-me que esta era a altura certa para arriscar a sua leitura. Devo dizer que a minha impressão geral é de desilusão. A história é típica do género de contos fantasmagóricos sem nada que a torne especial ou que a distinga de um mar de outras – falamos aqui de uma evolução linear sem grandes surpresas que por várias vezes cai no aborrecimento quando a acção pára. Os momentos mais interessantes acabam quase sempre por ser os pensamentos de judas enquanto interage com o fantasma ou imediatamente depois de o fazer sendo que os próprios momentos de acção não são nada de especial.

Outra versão - menos interessante na minha opinião

As personagens são também pouco convincentes e pouco dadas a criar empatia por parte do leitor. Judas e Marybeth (a sua namorada na altura desta história) são pessoas estranhas que parecem encaixar o que lhes acontece quase de forma instantânea sem que o leitor tenha sentido qualquer pânico ou terror por parte deles – de facto sentimos por vezes a raiva de Judas mas não temos quase uma gota de receio, o que dado o que lhe está a acontecer é no mínimo estranho para não dizer irrealista. Os vilões têm potencial (especialmente Craddock o fantasma) mas também não são explorados já a sua natureza continua a ser em essência um mistério e o seu passado é apenas abordado pelo lado sórdido acabando por criar alguém pouco interessante cujo único papel é o de servir de oposição.

Dito isto há algum ritmo na escrita de Hill e apesar de não existir nada que destaque a narrativa de outras que já foram escritas também não nada que a torne mais desagradável que as outras, simplesmente não tem grande originalidade. Uma leitura agradável mas que não deixa marca no leitor.

Nota: 7/10

ódio

Posted: Outubro 27, 2010 in Apocalipse, David Moody, Horror, Livro
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Permaneçam calmos e não entrem em pânico. Aguardem por mais instruções. A situação está sobre controlo. Estas três frases repetem-se em programas transmitidos em circuito fechado para todo o mundo enquanto a anarquia, violência e morte se espalham mais depressa do que qualquer epidemia que a humanidade tenha entrado em contacto anteriormente. O que de inicio não passavam de estranhos episódios de violência isolada transformam-se num colapso civilizacional à medida que mais pessoas sucumbem ao ódio e cometem atrozes actos de agressão sobre todos os  que ainda não estão infectados. É este o cenário de “Ódio” que David Moody pinta com bastante talento através dos olhos de Danny McCoyne, um humilde funcionário público da cidade de Londres, que se vê a braços com a maior crise da história da humanidade e que tudo tentará para manter a sua mulher e três filhos a salvo do que parece ser o fim do seu mundo.

Uma capa bem conseguida, fiel à original.

O livro em si é relativamente curto, 260 páginas, sendo que os capítulos são agradavelmente curtos o que ajuda imenso a sua leitura fora de casa (no meu caso nos transportes públicos que tenho que usar) além de tenderem a parar a acção no sítio certo o que torna a retoma da leitura mais fácil. A atmosfera está bem construída sendo que temos uma noção clara da agitação crescente das personagens e da sua confusão e medo – de uma família suburbana mais ou menos estável e normal vamos passando a um cenário cerco à medida que tudo à sua volta se desmorona. Até cerca de metade do livro a história é mais ou menos o esperado não existindo grandes sobressaltos que estraguem a narrativa (mas também sem gerar nenhuma reacção muito positiva) mas nessa altura Moody dá um pouco a volta à trama e de repente ficamos muito mais interessados no desenlace deste banho de sangue (não explico o porquê da reviravolta ou em que consiste para não estragar a leitura).

A versão original.

Há também uma exploração interessante, mesmo que superficial, de vários temas, quase sempre de raspão e à margem da história principal, como a pertença ou não pertença a um grupo, os efeitos de um poder político essencialmente inútil, a sobrevivência e o que ela pode implicar, a estrutura de sociedades urbanas modernas entre outras coisas. Mas o autor não desenvolve nenhum esforço no sentido de abordar seriamente estas questões sendo que elas surgem naturalmente em determinadas situações de forma quase que acidental e sem terem uma resposta concreta. Apesar disso o livro é bom, tem ritmo, acção e uma pequena dose de horror e sangue. Uma boa leitura quer para fãs de livros apocalípticos (ou de zombies) quer para recém-chegados ao género. Em resumo uma óptima surpresa por parte da Editorial Presença e fico à espera do lançamento da continuação deste livro, Dog Blood.

 Nota: 8/10

Cornos – Joe Hill – Gailivro

“Ignatius Perrish passou a noite embriagado e a fazer coisas terríveis. Na manhã seguinte acordou com uma ressaca tremenda, uma dor de cabeça violenta… e um par de cornos a sair-lhe das têmporas.No início Ig pensou que os cornos eram uma alucinação, fruto de uma mente danificada pela fúria e pelo desgosto. Passara um ano inteiro num purgatório solitário e privado depois da morte da sua amada, Merrin Williams, violada e assassinada em circunstâncias inexplicáveis. Um colapso mental teria sido a coisa mais natural do mundo. Mas nada havia de natural nos cornos, que eram bem reais.Em tempos, o íntegro Ig usufruíra da vida dos bem-aventurados, Ig tinha estabilidade, dinheiro e um lugar na comunidade. O único suspeito do crime, Ig nunca foi acusado ou julgado. Mas também nunca foi ilibado. No tribunal da opinião pública de Gideon, New Hampshire, Ig é e será sempre culpado. Nada que ele possa dizer ou fazer importa. Todos o abandonaram e parece que o próprio Deus também. Todos com excepção do demónio que está dentro de si… E, agora, Ig está possuído por um poder novo e terrível que condiz com o seu novo look assustador – um talento macabro que tenciona usar para descobrir o monstro que matou Merrin e que destruiu a sua vida.”

 

A Luz Miserável – David Soares – Saída de Emergência

“O horror está de volta. Nestas três histórias, David Soares (O Evangelho do Enforcado, Lisboa Triunfante, A Conspiração dos Antepassados) apresenta imagens de luz e trevas que não deixarão nenhum leitor indiferente. Desde o ambiente exótico de A Sombra Sem Ninguém, passando pelos interiores claustrofóbicos de A Luz Miserável, até à extravagância macabra de Rei Assobio, os leitores vão conhecer personagens inesquecíveis, como um homem “quase” invisível, três soldados amaldiçoados e um velhote mutilado e vingativo. Do suspense ao splatterpunk, A Luz Miserável é um livro de contos de horror provocadores, diabólicos e literários. Uma viagem vertiginosa ao lado negríssimo da imaginação.”