Archive for the ‘Piratas’ Category

Como tive uns dias em que precisava mesmo de calma absoluta aproveitei e peguei num livro que normalmente não me chamaria a atenção o “Em Território Pirata” de Michael Crichton (editado pela Livros d’Hoje). Uma aventura de piratas no século XVII parece um tema já um pouco gasto mas não sei porquê ao olhar para o livro tive um momento nostálgico e lembrei-me do quanto me diverti a ler as Aventuras do Corsário Negro de Emilio Salgari quando tinha 12 ou 13 anos. Entre a necessidade de algo ligeiro para ler e as boas memórias associadas ao tema acabei por ceder À tentação e trazer o livro para casa.

A arte da capa não é má de todo

O livro não desiludiu. Um pedaço de tarde ao longo de dois ou três dias bastaram para terminar a leitura e fiquei com uma boa sensação apesar de algumas falhas. A acção é quase imediata sendo que somos introduzidos ao capitão Hunter sem grandes prelúdios e às suas intenções de assaltar um galeão espanhol. Tudo isto generosamente misturado com uma leve introdução ao clima político e social da colónia Inglesa de Port Royal (como não podia deixar de ser num livro de piratas é descrita como um antro de corsários, militares aborrecidos, burocratas corruptos e prostitutas extremamente activas) que serve de base ao nosso “empreendedor marítimo”.  

A partir do momento que as personagens principais estão reunidas a acção é non stop até ao fim. A cada episódio de violência e audácia segue-se outro que o ultrapassa quase sem dar tempo ao leitor de respirar. E como era precisamente isso que queria fiquei muito satisfeito mas não posso deixar de apontar algumas falhas que podem desapontar outros leitores com expectativas diferentes. Em primeiro lugar as personagens são quase caricaturas. Nada de complexidades indevidas. Hunter é um corsário inglês com os preconceitos de esperar, os seus adversários espanhóis também são uma sombra estereotipada sem qualquer vestígio de complexidade – o objectivo poderia ser o de criar uma área moralmente cinzenta em que ninguém pode ser descrito como o “bom da fita” mas pelos preconceitos anglo-saxónicos postos na boca de alguns personagens estamos simplesmente perante alguma preguiça em fugir aos padrões mais comuns deste género.

O segundo problema do livro pode ser descrito como a presença de personagens redundantes. São introduzidas na história mas o seu papel é quase que artificialmente implantado na estrutura do livro – por exemplo, a partir de certa altura aparece a sobrinha do governador de Port Royal como prisioneira dos espanhóis mas é transparente que é colocada ali apenas porque faltava um elemento feminino ao livro.

Apesar destas falhas o livro é muito agradável e não mente ao leitor ao prometer grandes tramas no enredo. É uma aventura de Verão de espada na mão e pé no canhão que promete algumas horas de diversão pura apesar da mão algo pesada do autor ao forçar um ritmo demasiado elevado à história e assim omitir detalhes e desenvolvimentos potencialmente interessantes. Recomendo a quem precisar do mesmo que eu precisei, diversão livre de complexidades.

Nota final: 7/10

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