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A Terra uniu-se ao fim de milénios de conflito e nasce uma gloriosa Era da Tecnologia que nos permite não só suprir os eternos problemas de subsistência da nossa espécie como também explorar e colonizar milhares de mundos ao longo do Universo. Ao fim de milénios de paz interna e externa (com alienígenas) aparecem as tempestades Warp. O Warp, que até aqui servia de meio de comunicação usado pelas nossas naves espaciais, está fora de controlo. Cada sistema está isolado e coisas estranhas começam a acontecer. A magia funciona. Os deuses parecem vivos. As mutações humanas multiplicam-se criando seres estranhos e mesmo novas espécies que tendem a dominar as populações humanas normais. O Império do Homem está quebrado sem que tenha percebido quem lhe desferiu o golpe fatal. A Terra volta a ser um campo de batalha disputado por diferentes senhores da guerra, reis-sacerdores, feiticeiros e tecnocratas. Até que ao fim de vários milhares de anos de conflito sangrento aparece o imperador. Um ser misterioso que parece viver eternamente domina as várias facções e trás a paz de volta ao planeta e ao sistema solar. Com a ambição de voltar a reunir a si o Império do Homem cria os Astartes, super soldados imortais que partilham parte da sua essência, divididos em legiões e liderados pelos “Primarchs” (ainda mais próximos geneticamente do imperador). Ao longo de 200 anos, depois das tempestades Warp desaparecerem e os seus efeitos acalmarem, prossegue uma cruzada para voltar a reunir a humanidade e espalhar a verdade imperial: unidade contra a fragmentação e ciência contra a superstição.

É aqui que começa a série Horus Heresy do universo Warhammer (que já havia introduzido aqui e aqui apesar de neste caso tudo se passar 10 milénios antes) este livro, o terceiro de muitos, por Ben Counter, conta-nos como a traição de Hórus (primeiro entre os primarchs, líder da cruzada em nome do Imperador) tomou forma depois da sua miraculosa recuperação nos templos de Davin (os eventos precedentes são relatados em Horus Rising e False Gods), recuperação essa que foi obra dos poderes ruinosos do Caos (alternadamente referido como Warp). Recuperado Hórus planeia o caminho para suplantar o imperador no trono da Terra não se importando com os ideais que supostamente a cruzada deveria defender. Os cultos do Caos espalham-se pelas legiões ao serviço de Hórus mas há quem resista. Entre os humanos normais da expedição surge um novo culto religioso que diviniza o imperador e recusa qualquer tentativa de o trair e mesmo entre os Astartes há quem não queira dobrar os joelhos em templos a deuses sangrentos quando o imperador nega a existência do sobrenatural.

Astartes em formação

O livro é excelente dentro do género já que consegue atingir um ponto de equilíbrio entre intriga política, mistério e guerra, o que nem sempre é fácil. As personagens estão bem traçadas, apesar de nem sempre serem exploradas em toda a sua complexidade, sendo que conseguimos sentir empatia com várias delas especialmente no que toca às suas lealdades divididas (especialmente no capitão astarte Loken que não acreditando em que o Imperador é um deus também não consegue aceitar o que Hórus está a planear). A acção segue sempre a bom ritmo sendo que os momentos heróicos são realmente dramáticos e estão bem espaçados. A conclusão é complexa e corajosa o suficiente para não nos deixar com um sabor desagradável no fim – se há coisa que aprecio no universo warhammer é que nem tudo acaba sempre tão bem como nós desejaríamos, tal como na vida real. Penso que o Counter consegue subir o nível da série (na qual colaboram vários escritores) com este título e sem dúvida que sabe trabalhar com um universo tão rico e complexo como este. O melhor que posso dizer é que deixa o leitor praticamente a salivar pela continuação.

Nota: 9/10

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