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ódio

Posted: Outubro 27, 2010 in Apocalipse, David Moody, Horror, Livro
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Permaneçam calmos e não entrem em pânico. Aguardem por mais instruções. A situação está sobre controlo. Estas três frases repetem-se em programas transmitidos em circuito fechado para todo o mundo enquanto a anarquia, violência e morte se espalham mais depressa do que qualquer epidemia que a humanidade tenha entrado em contacto anteriormente. O que de inicio não passavam de estranhos episódios de violência isolada transformam-se num colapso civilizacional à medida que mais pessoas sucumbem ao ódio e cometem atrozes actos de agressão sobre todos os  que ainda não estão infectados. É este o cenário de “Ódio” que David Moody pinta com bastante talento através dos olhos de Danny McCoyne, um humilde funcionário público da cidade de Londres, que se vê a braços com a maior crise da história da humanidade e que tudo tentará para manter a sua mulher e três filhos a salvo do que parece ser o fim do seu mundo.

Uma capa bem conseguida, fiel à original.

O livro em si é relativamente curto, 260 páginas, sendo que os capítulos são agradavelmente curtos o que ajuda imenso a sua leitura fora de casa (no meu caso nos transportes públicos que tenho que usar) além de tenderem a parar a acção no sítio certo o que torna a retoma da leitura mais fácil. A atmosfera está bem construída sendo que temos uma noção clara da agitação crescente das personagens e da sua confusão e medo – de uma família suburbana mais ou menos estável e normal vamos passando a um cenário cerco à medida que tudo à sua volta se desmorona. Até cerca de metade do livro a história é mais ou menos o esperado não existindo grandes sobressaltos que estraguem a narrativa (mas também sem gerar nenhuma reacção muito positiva) mas nessa altura Moody dá um pouco a volta à trama e de repente ficamos muito mais interessados no desenlace deste banho de sangue (não explico o porquê da reviravolta ou em que consiste para não estragar a leitura).

A versão original.

Há também uma exploração interessante, mesmo que superficial, de vários temas, quase sempre de raspão e à margem da história principal, como a pertença ou não pertença a um grupo, os efeitos de um poder político essencialmente inútil, a sobrevivência e o que ela pode implicar, a estrutura de sociedades urbanas modernas entre outras coisas. Mas o autor não desenvolve nenhum esforço no sentido de abordar seriamente estas questões sendo que elas surgem naturalmente em determinadas situações de forma quase que acidental e sem terem uma resposta concreta. Apesar disso o livro é bom, tem ritmo, acção e uma pequena dose de horror e sangue. Uma boa leitura quer para fãs de livros apocalípticos (ou de zombies) quer para recém-chegados ao género. Em resumo uma óptima surpresa por parte da Editorial Presença e fico à espera do lançamento da continuação deste livro, Dog Blood.

 Nota: 8/10

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