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Judas Coyne é uma estrela do Heavy Metal em fim de carreira que entre amantes, de passados duvidosos e com idade para serem suas filhas, arranja tempo para acrescentar items à sua bizarra colecção. Entre livros de ocultismo, receitas canibais e filmes snuff está a mais recente adição a este estranho museu; o fato de um homem morto comprado anonimamente através da internet. Ao contrário dos outros objectos que adquiriu ao longo dos anos este fato não é apenas mais um golpe publicitário para agradar a um público com gostos mais negros. De facto parece vir com um fantasma determinado a abrir a vida de Judas, desde a sua infância (passada ao lado de um pai abusivo e uma mãe quase ausente), passando pelos seus anos com a banda que o tornou famoso e que ele depois abandonou até ao presente, em que a sua falta de preocupação com as raparigas com quem se envolve pode ter levado uma delas ao suicídio. Conseguirá Judas sobreviver aos poderes do fantasma? Talvez mais importante ainda, conseguirá ele sobreviver ao seu próprio passado?

Uma capa bem pensada.

Este livro tem estado na minha mesa de cabeceira há já algum tempo e quase que o tinha esquecido até que em arrumações dei com ele debaixo de uma pilha de outros livros. Nunca tinha lido nada do Joe Hill (só tendo publicado ainda dois livros não é talvez de estranhar) mas tinha ficado com boa impressão pela apresentação e resumo e como me estava a apetecer uma dose de horror pareceu-me que esta era a altura certa para arriscar a sua leitura. Devo dizer que a minha impressão geral é de desilusão. A história é típica do género de contos fantasmagóricos sem nada que a torne especial ou que a distinga de um mar de outras – falamos aqui de uma evolução linear sem grandes surpresas que por várias vezes cai no aborrecimento quando a acção pára. Os momentos mais interessantes acabam quase sempre por ser os pensamentos de judas enquanto interage com o fantasma ou imediatamente depois de o fazer sendo que os próprios momentos de acção não são nada de especial.

Outra versão - menos interessante na minha opinião

As personagens são também pouco convincentes e pouco dadas a criar empatia por parte do leitor. Judas e Marybeth (a sua namorada na altura desta história) são pessoas estranhas que parecem encaixar o que lhes acontece quase de forma instantânea sem que o leitor tenha sentido qualquer pânico ou terror por parte deles – de facto sentimos por vezes a raiva de Judas mas não temos quase uma gota de receio, o que dado o que lhe está a acontecer é no mínimo estranho para não dizer irrealista. Os vilões têm potencial (especialmente Craddock o fantasma) mas também não são explorados já a sua natureza continua a ser em essência um mistério e o seu passado é apenas abordado pelo lado sórdido acabando por criar alguém pouco interessante cujo único papel é o de servir de oposição.

Dito isto há algum ritmo na escrita de Hill e apesar de não existir nada que destaque a narrativa de outras que já foram escritas também não nada que a torne mais desagradável que as outras, simplesmente não tem grande originalidade. Uma leitura agradável mas que não deixa marca no leitor.

Nota: 7/10