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No sistema Sabbat os poderes ruinosos do Caos tomaram poder há gerações e tornaram toda a região numa gigantesca base para o avanço da Heresia, quer através de missionários que espalham mentiras venenosas contra o Império quer usando assaltos militares a todos os sistemas circundantes. O Warmaster Slaydo, herói distinguido em incontáveis conflitos com heréticos e alienígenas, foi agora encarregue de comandar uma expedição da Guarda Imperial (auxiliada por contingentes dos imortais Adeptus Astartes e os sábios Adeptus Mechanicus ) a este sistema para o reconquistar em nome do Imortal Deus-Imperador. Fiel à sua reputação Slaydo alcança sucesso atrás de sucesso até que na hora da sua maior vitória tomba em combate. A expedição de mais de mil milhões de soldados da Guarda fica primeiro de luto e depois em choque com as decisões tomadas por Slaydo no seu leito de morte. Ignorando critérios de tempo de serviço ou experiência nomeia um oficial superior relativamente novo como seu herdeiro, ascende assim o Warmaster Macaroth e deixa o candidato mais óbvio, Lord High Militant General Dravere, a espumar de raiva e claramente interessado em conspirar para usurpar a posição que pensa que lhe pertence por direito e mérito. Uma segunda acção, menos pública, foi conceder a equivalência à patente de coronel (e como tal a liderança de um regimento) ao comissário político Ibram Gaunt (há mais que uma leve semelhança estética entre alguns elementos do Império do Homem e a velha União Soviética começando pela existência de comissários políticos no exército), líder dos fantasmas de Tanith.

Não é uma capa má mas talvez seja demasiado "pulp" (um problema estético recorrente nesta série).

Este homem de ferro é o centro da narrativa que nos arrasta de novo para o universo Warhammer (de facto este livro é uma boa forma de começar a ler algo do complexo universo da Black Library) para um cenário de guerra sem fim e sem piedade. E aqui não é preciso andar com muitas subtilezas, o livro é essencialmente mesmo sobre guerra, dever e política – nesta ordem. O Coronel-Comissário Gaunt é um homem marcado por um passado difícil (com traições à mistura) e por um estranho aviso que recebeu há mais de vinte anos vinda de uma rapariga com poderes psíquicos aprisionada pela Inquisição. Começando em Fortis Binary, um planeta industrial que é o cenário de uma guerra de trincheiras contra as forças do Caos, vemos o estilo de liderança muito especial de Gaunt entrar em acção (um oficial que se destaca pela preocupação com os seus homens é algo estranho neste universo onde o guarda imperial médio é considerado como carne para canhão) e ao fim de algumas grandes cenas de combate começamos a entrar no espírito da unidade que comanda e de como interage com o que a rodeia (o seu ódio aos Patrícios de Jant que remonta a uma dívida de Gaunt, ou a relação distante com o comando central que, não infrequentemente, conspira contra as suas próprias unidades) e somos introduzidos a novos graus de complexidade. Começamos a ter uma história de fundo que é mais complexa que apenas uma série de combates desconexos e que envolve alguma intriga política por parte de alguns personagens – nada de grandes complexidades mas o suficiente para dar uma nova dimensão, credível, à guerra constante.

A versão alternativa.

As personagens que mais nos marcam são sem dúvida os oficiais das várias unidades começando claramente por Gaunt e os seus deus oficiais (o Coronel Corbec e o Major Rawne – personagens bem distintos e únicos à sua maneira), Flense o colérico inimigo mortal de Gaunt por mais razões do que aquelas que seriam de esperar ou Zoren o estóico comandante dos Vitrian Dragoons (uma unidade aliada). Há uma falha clara no desenvolvimento de alguns personagens mais secundários, especialmente os vilões, sendo que alguns poderiam ter sido muito mais interessantes se Dan Abnett tivesse tido mais trabalho a criar detalhes e uma trama algo mais complexa – é interessante o suficiente para nos fazer querer ler quase compulsivamente mas não o suficiente para que não se torne algo previsível para os leitores com mais experiência. Nesta categoria é de destacar o Inquisidor Heldane que tem bastante potencial e facilmente poderia ter-se tornado em algo mais que um simples obstáculo secundário na trama. Para concluir esta crítica gostaria de reforçar a ideia de que este livro está claramente na categoria de ficção científica/fantasia militar. Quem tiver problemas em ler descrições algo detalhadas de operações militares ou de bravos combates em grupo ou individuais terá sérias dificuldades em avançar na leitura. Mas mesmo para os que não gostam especialmente da parte guerreira é de apontar que o autor não cai nunca em facilitismos ou em heroísmos fáceis. Longe disso. Tudo é descrito de forma realista e os comportamentos destes soldados, no seu melhor e pior, está presente em toda a sua humanidade o que para mim tornou a leitura muito mais agradável do que se o lado negro tivesse sido ignorado. Já tenho o volume seguinte desta saga, Ghostmaker, na estante à espera de leitura.

 

Nota: 8/10