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Este livro começa ligeiramente antes dos eventos finais do anterior livro da saga Horus Heresy, Galaxy in Flames, e muda a perspectiva dos anteriores três volumes ao introduzir uma nova personagem principal, Garro, Capitão na XIV legião, a Death Guard. Somos inseridos logo  na acção quando Garro comanda a sua companhia no ataque a uma nave alienígena que ousou entrar em espaço imperial. Este, não tão pequeno, episódio serve de introdução ao espaço mental deste soldado e é uma forma de adaptação, para o leitor, a outros espaços e realidades que não tinham aparecido antes nesta série – uma nova perspectiva sobre a grande cruzada do Imperador, conhecemos mais um Primarch, Mortarion o Senhor da Morte, e acima de tudo a uma nova cultura (cada legião tem o seu código e características especificas). Eventualmente somos levados aos eventos de Isstvan III onde Horus trai os astartes que permaneceram fieis ao Império bombardeando o planeta onde estão colocados com armas químicas. Garro e a sua equipa de comando conseguem evitar este fim por um acaso e recrutam a fragata Eisenstein na sua fuga para avisar a Terra da defecção do seu campeão. Mas a viagem promete ser dura. Para começar há outra equipa de astartes a bordo da nave que não partilha das lealdades do nosso herói; em segundo lugar o espaço Warp está a conspirar  contra esta viagem à medida que os deuses do caos despertam para o nosso universo e por último mesmo que consigam chegar ao seu destino não sabem em quem podem confiar esta informação vital para a sobrevivência da humanidade. Até onde chega a corrupção do caos?

 

Não é a minha capa favorita mas funciona.

A forma como o último livro da série acabava não deixava espaço para dúvidas que novas personagens teriam que ser introduzidas mas James Swallow quase que só nos introduz uma, Garro. O resto do cast do livro é composto por personagens secundárias da equipa do capitão que não têm autonomia ou interesse para serem desenvolvidas em grande detalhes e algumas que vieram de livros anteriores como a “Santa” Keeler ou o velho capitão Qruze mas que também não são desenvolvidas em detalhe, aliás estas são praticamente ignoradas ou descritas de forma superficial. Tudo assenta então sobre o heróico capitão e a sua missão de entregar a mensagem de aviso. Se fosse esta a história toda teríamos um problema  já que Garro não é assim tão interessante (pelo menos à partida) mas felizmente o autor percebeu isso e acrescentou uma dimensão nova à personagem. A fé. Esta série retrata a passagem de um universo em que domina uma visão cientifica para outro em que o sobrenatural é central e Swallow aproveitou a necessidade de fazer essa transição enriquecendo a sua personagem com uma viagem de descoberta espiritual, descoberta na sua fé no Deus-Imperador da humanidade – é verdade que o tema já tinha sido abordado na série mas desta vez é-lhe dado tempo para ser verdadeiramente explorado.

 

The Emperor protects!

Além de haver uma certa pobreza no que toca a personagens (Garro não é tão complexo ou interessante como o seu antecessor, Loken, além de que parece estar quase sozinho sendo todos os outros quase que amostras de personagens ou personagens potenciais) existem sérios problemas de timing neste volume. A introdução é claramente demasiado longa, mesmo para quem não leu mais nada do universo Warhammer os outros três livros anteriores já tinham dado uma boa imagem das características centrais e a insistência do autor em dedicar tanto espaço a informação que já temos diminui o espaço que poderia ter usado para desenvolver uma história autónoma. Também de apontar que o fim (e o combate associado) é demasiado simples, desilude pela solução linear e deixa demasiadas perguntas que tínhamos no inicio do volume sem resposta. Em resumo é um bom livro, que acrescenta algo à série, mas que tem sérias falhas na forma como foi construído o que o impede de estar à altura do seu antecessor. O próximo volume da série, Fulgrim, já está na minha mesa à espera de leitura.

 

Nota: 7.5/10